
O
revolucionário Che Guevara atuou como
repórter fotográfico em uma carreira de êxito. Cobriu o Pan-Americano de
1953 por uma
agência de notícias Argentina no
México. Há uma exposição com duzentas imagens produzidas por Che percorrendo as capitais mundiais.
Em 1952, com o seu amigo Alberto Granado, bioquímico, Guevara realiza um sonho: atravessa a América do Sul numa velha motocicleta Norton 500cc conhecida pelo nome de La Poderosa II. Nessa viagem, Guevara começa a ver a América do Sul como uma única entidade econômica e cultural que precisa unir-se. Ao visitar as minas de cobre, as povoações indígenas e os leprosários, Ernesto dá mostras de seu profundo humanismo, vai crescendo e agigantando seu modo revolucionário de pensar e seu firme antiimperialismo.
Em julho de 1953, inicia sua segunda viagem pela América Latina. Nessa oportunidade visita Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, El Salvador e Guatemala. Na Guatemala conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce sua primeira filha.
Diante da visão de miséria e impotência das massas, conclui que a única maneira de acabar com as desigualdades sociais é a revolução socialista. De volta à Argentina, ele acaba os estudos de Medicina em 1953 e passa a se dedicar à política.
Em 1954, no México através de Ñico López, um amigo das lutas na Guatemala, ele conhece Raul Castro que logo o apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel Castro. Este último organiza e lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência a Jose Martí e que tem por objetivo tomar o poder em Cuba. Guevara faz parte dos 82 homens que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam.
É durante esse ataque que Che, o médico do grupo, larga a maleta médica por uma caixa de munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de doutor a combatente.
Em seguida eles se instalam nas montanhas da Sierra Maestra de onde iniciam a guerrilha contra o ditador cubano Fulgêncio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos.
Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Guevara mostra grande coragem, talento em combate, e crueldade com os inimigos e logo se torna um dos homens de confiança de Fidel Castro. Guevara toma a responsabilidade de medico revolucionario, mas em pouco tempo, foi se tornando naturalmente líder, e seguido pelos rebeldes.
Após a vitória dos revolucionários em 1959, Batista exila-se em São Domingos e instaura-se um regime comunista em Cuba, comandado por Fidel Castro.
Guevara, então braço direito de Fidel, torna-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria. Mas rapidamente, apesar de marxista-leninista convicto, ele opõe-se à URSS, então principal força de apoio ao regime cubano e é progressivamente deixado de lado por Fidel Castro.
Che esteve oficialmente no Brasil em abril de 1961, quando foi condecorado pelo então Presidente Jânio Quadros com a Ordem do Cruzeiro do Sul.
Em 1965, Guevara deixa Cuba para propagar os ideais da revolução cubana pelo mundo com ajuda de voluntários de vários países latino americanos.
Ele parte primeiramente para o Congo, na África (onde encontra-se com Kabila mas em quem ele não tem confiança). Após o fracasso dos combates no Congo, parte para a Bolívia, onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina. Mas enfrenta dificuldades com o terreno desconhecido e em conquistar a confiança dos camponeses. É finalmente cercado e capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte por soldados bolivianos na aldeia de La Higuera, possivelmente sob as ordens de agentes da CIA, agência de inteligência norte-americana. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que utilizava documentos uruguaios falsos. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois.
A imagem do Che é mítica em toda a América Latina. Na localidade onde foi assassinado em 1967 ergue-se atualmente uma estátua em sua homenagem. Passou a ser conhecido na região como "San Ernesto de La Higuera" e é cultuado como santo pela população local.
Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 Km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que segundo consta em relatos não oficiais, teriam sido amputadas para o reconhecimento de sua identidade logo após a sua morte. Seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro deste mesmo ano são enterrados com honrarias de Estado na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.
O atual regime cubano ainda se vale da imagem de Che Guevara para manter uma imagem positiva junto à sociedade.
A reprodução da imagem de Che Guevara em camisetas, posters etc., em especial a partir da famosa foto tirada por Alberto Korda, tornou-a a segunda imagem mais difundida da era contemporânea, ficando atrás apenas da imagem de Jesus Cristo.